A cidade de Jequitinhonha situa-se no nordeste do Estado de Minas Gerais e está inserida na região do Vale do Jequitinhonha, precisamente na região do Baixo Vale. Cercada por serras, que lhe servem de moldura e firmada entre belezas naturais, a cidade, às margens do rio Jequitinhonha é testemunha de uma época em que a riqueza brotava dos chãos das Minas Gerais. Sua história se entrelaça aos ciclos de exploração de ouro e diamantes e começa a ser registrada em 1804, quando o alferes gaúcho, "soldado experimentado nas gerras do Rio Grande do Sul, do Uruguai e da Colônia de Sacramenteo" (Santiago e Souza, 1966, p.40), de nome Julião Fernandes Leão, instala a Sétima Divisão Militar por determinação da Coroa Portuguesa. O principal objetivo era guarnecer o rio Jequitinhonha, à época, considerado diamantífero. Ainda, buscava-se a proteção dos colonos e a “civilização” dos índios, com a criação do aldeamento onde eles pudessem virar força de trabalho escravo, sobretudo no trato com a terra.

A instalação oficial do povoado incidiu em 1811. O arraial de São Miguel era pequeno, com aproximadamente quarenta cabanas de barro, uma igreja inacabada e um quartel com cerca de 15 soldados que  impediam os ataques dos índios. Em função da chegada do alferes à região no dia 29 de setembro, deu-se à localidade o nome “Sétima Divisão Militar de São Miguel”, data em que a Igreja comemora a festa de São Miguel. Em 1831 esse nome é alterado para “Freguesia de São Miguel da Sétima Divisão”. No ano de 1911, através da lei n. 556, de 30 de agosto, foi criado o município com a denominação “São Miguel do Jequitinhonha”. Posteriormente, em 18 de setembro de 1914 (lei n. 622), passou a chamar-se “Vila do Jequitinhonha”. E, por fim, em 1923, pela lei n. 843, de 07 de setembro, foi mudado o topônimo para Jequitinhonha. A palavra Jequitinhonha, apesar de muitos afirmarem significar “rio largo, cheio de peixes” é de procedência controvertida. Acredita-se que a expressão seja, provavelmente, de origem macro-gê.

A cidade é a mais antiga povoação do Baixo Vale e sua origem está ligada à fiscalização do rio contra o contrabando, mas seu desenvolvimento ocorreu em função da lenta expansão da pecuária pelo norte de Minas em direção ao nordeste do estado. Somente a partir do início do século XIX, com a abertura do rio Jequitinhonha à navegação, o município e as demais cidades do Baixo Jequitinhonha entraram para a história de Minas Gerais. Nessa época o Jequitinhonha tornou-se importante via de escoamento de produtos entre o norte do Estado e a cidade de Belmonte, no litoral baiano. À margem direita do rio, nasce e se forma Jequitinhonha. As primeiras décadas não prometiam grande coisa. As duas iniciais ruas, constituídas às margens do Jequitinhonha e do córrego São Miguel - a “rua de baixo”, hoje chamada Alferes Julião Fernandes, em homenagem ao fundador da cidade, e a “rua de cima”, atual rua Elza Mourão - quase sumiram devido às inundações provocadas pelas enchentes. Resistiu, aos trancos e barrancos, enfrentando às inundações e ao clima implacável. Após as cheias, as casas eram reconstruídas, mesmo assim, nada indicava que a cidade alcançaria a personalidade que tem hoje.

Generosa, confortável, espaçosa, Jequitinhonha começou a abrigar a todos. E cada um acabou por se instalar num bairro, fazendo dela a “sua” cidade.  Em 200 anos, o povoado com pequenas casas deu lugar um núcleo urbano dotado de um rico casario e a um conjunto eclético de rara beleza e extraordinário valor artístico e arquitetônico. Igrejas, praças e casarões foram construídos nos largos dos morros, acompanhando harmoniosamente o contorno do rio Jequitinhonha e do córrego São Miguel. A seqüência do casario, entremeado por arruamentos amplos, o que proporciona à cidade características próximas às das cidades litorâneas expressa uma variedade enorme de detalhes, como platibandas adornadas, sacadas e portas-balcão, balaustradas, esquadrias talhadas, relevo nas fachadas e gradis bem desenhados. Todos esses pormenores revelam a grande dinâmica cultural e econômica registrada na região durante o alvorecer do século XX. Nessa época, o município exerceu grande influência no desenvolvimento regional, destacando-se por ter sido pólo econômico e centro cultural, com cinema, teatro, filarmônica e grêmios literatos.