A ausência do presidente da Câmara municipal de Araçuai, vereador Carlindo Dourado (PRB) em júri que ocorreria nesta quarta-feira (5) para julgar um  casal acusado de ter matado o entregador de gás Dioleno Fonseca Mendes, de 32 anos, em setembro do ano passado,  em Araçuai, provocou o desmembramento do processo. O motorista João Farley Pereira;34 anos e a mulher dele; Daiana Santos, 30, são acusados do crime. A motivação foi passional, já que a vítima seria amante de Daiana; sustenta a acusação. O vereador foi arrolado como testemunha de defesa do motorista.

O casal está preso há um ano. Ele em Araçuai e ela em Teófilo Otoni. Ambos chegaram ao Fórum, em viaturas separadas. Com o desmembramento do processo, apenas Daiana será julgada nesta quarta-feira em júri popular que teve início por volta das 10h30m. A previsão  é que o resultado seja conhecido no final da tarde. Familiares e amigos da vítima chegaram cedo à praça do Fórum portando faixas e cartazes pedindo Justiça.

Um novo julgamento do motorista João Farley foi marcado para o dia 25 de outubro.

 

Daiana Santos, acusada de ser mentora do crime, foi presa em casa em novembro passado.

 

Novo julgamento de João Farley está previsto para o dia 25 de outubro.

Novo julgamento de João Farley está previsto para o dia 25 de outubro.

 

O crime

Dioleno Fonseca  foi morto a tiros na noite de 19 de setembro do ano passado, nas proximidades da casa de João  Farley e Daiana; na rua Israel Pinheiro, no  bairro Canoeiro ( Mutirão). Após investigações eles foram apontados como principais responsáveis pelo crime. 

De acordo com o advogado Fabio Marcos Cruz, assistente de acusação;  Daiana era amante da vítima e não aceitava o fim do relacionamento. “ Ela foi a mentora de tudo e acabou envolvendo o marido neste crime triplamente qualificado. Vou pedir a pena máxima para ela”; afirmou o advogado.

 

Dioleno Fonseca era casado e segundo a polícia, ele mantinha um relacionamento extraconjugal com Daiana Santos.

Dioleno Fonseca era casado e segundo a polícia, ele mantinha um relacionamento extraconjugal com Daiana Santos.

Na noite do crime, a polícia apreendeu o celular de Daiana que continha mensagens da vítima para ela. No celular do marido dela, estava a foto da vítima. Ela foi presa no dia 1 de novembro do ano passado e ele no dia anterior, nas dependências da Câmara. De acordo  com Jairo Pinto de Oliveira; advogado de João Farley, "é preciso comprovar a participação do seu cliente no crime. " É um homem de bem e ainda permanece como funcionário da Câmara. Está apenas com o salário suspenso"; disse o advogado alegando que nos autos consta um abaixo- assinado com 400 assinaturas pedindo a liberdade do motorista.

O julgamento do caso estava marcado para começar às 9 horas da manhã. O vereador Carlindo Dourado figura como testemunha de defesa de  João Farley. Como o vereador não apareceu, o Juiz da Comarca, Marco Anderson Leal, determinou que dois oficiais de Justiça o localizasse. “ Procuramos na casa dele, no hospital, na Câmara e em um comitê político mas  não o encontramos”;  informaram os oficiais. Antes do inicio do julgamento, o vereador apresentou atestado médico.

Familiares da vítima se concentraram na porta do Fórum. Em faixas e cartazes eles exigiam Justiça.

Familiares da vítima se concentraram na porta do Fórum. Em faixas e cartazes eles exigiam Justiça.

A família da vítima ficou inconformada. “ Gastei R$ 500 reais com frete de um carro para chegar até aqui. Não sei por que ele é testemunha. Não viu nada do crime, não estava lá. Ele é político e não quer se indispor com nenhuma das partes”; disse a lavradora Rita Ramalho Fonseca Mendes, 55 anos, mãe da vítima. “ É muito doloroso. Espero Justiça pela morte do meu filho”, desabafou a mulher.

O vereador não foi localizado para comentar o caso.